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Apelo às Consciências

Por uma rede de cidadãos planetários
Nós, cidadãos dos povos da Terra, temos consciência do perigo mortal que pesa sobre o futuro de nossa humanidade comum. De fato, um duplo distúrbio climático ameaça a vida em nosso planeta. O primeiro é expresso ecologicamente pelo risco de nossa Terra-Pátria – a nossa “Mãe Terra”, nas palavras dos primeiros povos – tornar-se um “chão de vidro” inabitável para um número crescente de pessoas. Isso afetaria mais de um bilhão de seres humanos se o aumento da temperatura atingisse o limite de 4°C, e muito mais se esse limite fosse excedido. Esse aquecimento médio leva à acentuação de eventos extremos: inundações tanto quanto secas, incêndios, pragas, ciclones e tempestades. Mas a mudança climática tem outra face: a glaciação emocional e relacional expressa pela ampliação das desigualdades e do desprezo pelos mais pobres. Mais sério ainda, o medo de descer na escala social resulta na luta entre as próprias vítimas: os trabalhadores, os precários, os sem teto, os imigrantes … Quem quer que sinta a ameaça de perder o pouco que possui ou que lhe resta, teme que outro ainda mais pobre tome seu lugar.
 
Por sua ambição, seu cinismo e sua desigualdade, o fundamentalismo de mercado deu origem a uma dupla monstruosa: o fundamentalismo de  identidade, que pode assumir formas religiosas, nacionalistas, xenófobas ou  expressar-se tanto pelas armas quanto nas urnas. A chegada ao poder de indivíduos que representam uma ameaça não apenas à democracia e aos direitos humanos – começando pelos direitos das mulheres – mas também aos equilíbrios ecológicos, é uma manifestação cada vez mais perigosa desse fundamentalismo. Nas Filipinas, Hungria, Estados Unidos, Itália, Brasil, Colômbia, Equador, e outros, forças social e ambientalmente injustificáveis ameaçam a humanidade no que é mais essencial: viver em paz em um planeta habitável.
 
Por causa da instrumentação de medos e manipulação de informações em campanhas eleitorais, irresponsáveis e criminosos podem hoje, como nos anos 1930, chegar ao poder se abrigando sob formas aparentemente legais, aproveitando o cinismo de alguns e o medo ou covardia de outros.
 
Diante deste duplo risco e da batalha global que se anuncia, nós nos recusamos a ceder ao medo e a tolerar passivamente a disseminação desse perigo mortal. Organizaremos uma Resistência criativa em todos os lugares, baseada na rejeição da regressão social, da irresponsabilidade ecológica e do desprezo aos direitos humanos fundamentais.
 
Vamos declarar ilegítimo qualquer poder que não cumpre os três pilares essenciais da convivência da humanidade num planeta protegido: a Declaração Universal dos Direitos Humanos, os pactos sociais das Nações Unidas e as  convenções internacionais destinadas a assegurar a sustentabilidade do nosso planeta, em particular o Acordo de Paris sobre a luta contra as mudanças climáticas. Recusamo-nos, por todos os meios não violentos ao nosso alcance, incluindo boicotes e desobediência civil contra a autoridade ilegítima, deixar-nos dominar ou intimidar por aqueles poderes. Vamos criar, sempre que possível, territórios-refúgios para as vítimas destes poderes e oásis de vida para enfrentar os desertos de morte que fabricam concertadamente regressão social, irresponsabilidade ecológica e violação dos direitos humanos. Vamos nos organizar para construir essa Resistência criativa, mas também para viver positivamente, todas aquelas e aqueles que fazem cada dia a escolha pelos valores económicos, ecológicos, sociais, políticos e culturais de uma sociedade do bem viver. Trabalharemos para conectar todos esses territórios e todos esses oásis da vida, desde os bairros de nossas cidades e as aldeias de nosso campo até toda a nossa Mãe Terra.
Lançaremos solenemente este Apelo às Consciências em 10 de dezembro de 2018, por ocasião do 70º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.


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